Falando Sério – Laços x genética

Mais de um mês sem postar, com bons motivos. Muito trabalho, correria e ainda por cima, com computadores quebrados.
Tenho alguns posts prontos para postar, mas definitivamente um dos motivos pelos quais eu dei uma pausa nos posts, é o motivo desse post. Acabei de ler o livro Melancia (aguardem resenhas :}) e resolvi falar um pouco sobre esse tema aqui. Antes de tudo vamos deixar claro que esse não é um texto bem construído e sim um desabafo, sobre o livro, a vida, e porque eu trabalho com tantas famílias que resolvi falar sobre isso aqui.

Gostaria de ter aqui em mãos alguma pesquisa que falasse sobre a quantidade de filhos com pais separados existem no Brasil. Mas não somente isso, afinal, cada caso é um caso, e não cabe a nós julgar. Gostaria de ter a porcentagem de quantos desses pais procuram os filhos, e cuidam, mesmo separados. Por algum motivo que eu talvez nunca entenderei, tudo sobre pra mãe. Da gravidez ao parto, da amamentação à educação, e os pais ficam apenas com a parte boa – e alguns nem isso querem.
Quem convive comigo sabe muito bem que quando eu vejo um pai com um filho ou uma filha, fico toda “aaaaaaah <3”. Outro dia mesmo, vi a primeira foto de um homem dando mamadeira pra uma bebê. Segundo meu namorado isso é normal, mas eu nunca havia visto e fiquei maravilhada, mesmo.
Não vou falar do meu caso em específico, mas no geral, conheço pais que já são avós mas não sabem por não querer nem sequer ter o trabalho de procurar as filhas. Conheço pais que não sabem o que o filho faz da vida, o que o filho gosta, o que estudou. Não ajudou em um real, e mesmo que não tivesse dinheiro pra bancar pensão alimentícia, não foi nem sequer visitar – porque, ainda assim, ligar eu acho muito pouco.
O que me chateia é que, por algum motivo, alguns resolvem reatar os laços. Coincidentemente depois de você já ter se formado, já estar com a vida nos eixos, e não precisar de mais nada.
Existe uma grande diferença entre laço e genética. É muito fácil ter um filho. Inclusive, se você quiser apenas procriar, pode doar esperma para bancos. Assim você terá um filho, e nenhum laço. E isso vale para quem abandonou a esposa com um bebê, ou criança, pra cuidar sozinha, sem ajudar em um real e sem fazer questão de visitar. A criança em questão pode até ser seu filho, mas conversas rasas não criarão laços, conversar uma vez por mês também não, e querer palpitar na vida sem nem saber o que se passou durante o tempo em que estava fazendo outras coisas é completamente sem sentido.
Imagina um estranho falando para você “oi, sou seu pai, não quero que você seja modelo porque é muito perigoso, não faça faculdade de moda, agora fale com Deus, beijos te amo”. Estranho, não é? E se você tem os pais juntos, deve estar achando exagero meu dizer que esse laço entre pais e filhos não existe. Sempre fui controlada em dizer “eu te amo”,  porque não acho algo pra se dizer a qualquer um, e é isso o que acontece nessas horas. O pai reaparece dizendo que te ama e… me desculpe, mas você acreditaria? Ele nem sequer convive com você há, 5, 10, 15, 20 (ou insira um número aqui) anos, ele nem sabe quem você é e em quem você se transformou e diz que te ama? Não parece estranho pra vocês? Como você ama alguém sem conhecer de verdade essa pessoa?
Se você doasse um esperma e descobrisse que usaram, entrasse em contato com essa pessoa e falasse pro filho dela que a ama, seria a mesma coisa. Um completo estranho, falando com outro estranho, sem se conhecerem…
E claro, sou a favor do divórcio se há a real necessidade disso, quero ver todos felizes, não é? Mas não sou a favor de se esquecer que tem filhos. É muito fácil ter um filho e esquecer por aí, fingir que não precisa comprar comida, roupas ou pagar escola e cursos. Ou no mínimo, dar atenção e carinho, que seria o essencial pra criar esse laço. Por favor, não vamos fingir que esses laços existem se não existem, façam a vida mais simples e continuem sem aparecer. 😉

(Obviamente o texto poderia estar ao contrário, as mães tendo abandonado e esquecido dos filhos com os pais, porém coloquei da forma do livro e da forma mais comum. 😉 )

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One thought on “Falando Sério – Laços x genética

  1. Realmente, como professora de educação infantil, já vi as duas situações (ou o pai ou a mãe se ausentarem) e o estado emocional que ficam as crianças após acontecer essa separação não só do casal, mas como famíllia… triste.

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